2 de out de 2009

Você julga um livro pela capa?



Essa é antiga: "Não se deve julgar um livro pela capa". Também concordo, porque você pode entrar numa roubada. Pode comprar gato por lebre (essa é mais antiga ainda). Mas quem já não comprou livro olhando a capa, a contracapa e as orelhas do livro?


Tá bom, ainda que você dê umas rápidas folheadas, coisa que é uma delícia de fazer quando a gente vai numa dessas livrarias que tem sofá, música ambiente, cafezinho, será que essa olhadela seria suficiente pra gente tirar uma conclusão se o livro é bom ou não? Pois eu me arrisco a dizer que sim. Como é que em cinco minutos a gente julga interessante uma obra que leva dois, três dias ou uma semana pra ler?


Muitos cientistas já se debruçaram sobre o tema, não da compra de livros, mas do rápido processo de decisão do ser humano em algumas circunstâncias. Alguns chamam de feeling, outros chamam de sexto sentido. O nome não importa. O importante é que nós, seres humanos, temos uma capacidade absurdamente incrível de detectarmos padrões de diversas coisas e sabermos com uma boa dose de exatidão qual o resultado daquilo.


Uma vez li uma pesquisa de um cientista norte-americano, que havia gravado diversas conversas de médicos com seus pacientes. Alguns deles haviam sofrido processos judiciais por parte dos seus pacientes. Compilando essas gravações e mostrando pequenos trechos de 15 ou 20 segundos a um grupo de observadores, eles foram capazes de identificar, com uma precisão de 80%, quais foram os médicos que sofreram processos. Como? Pela maneira como esse médicos se dirigiam a seus pacientes. Nenhum deles era rude ou grosseiro, provocativo ou impertinente. É que seu tom de voz, sua falta de emoção ou interesse estampado na voz, refletia de fato a pouca importância que o médico estava dando ao ser humano sentado na sua frente.


Este é apenas um exemplo, baseado em uma pesquisa científica. Mas no nosso dia-a-dia isso é mais comum do que parece. Já não aconteceu de você conversar com uma pessoa e saber que ela estava mentindo, ainda que afirmasse o contrário? Como é que a gente sabe? Tom de voz, expressão facial, infinitas justificativas, ou seja, vários sinais que ao longo do tempo aprendemos a reconhecer.


Ora, se nós somos capazes de identificar esses sinais nas outras pessoas, elas também são capazes de identificá-los em nós. Portanto, se você é da área comercial, da área de atendimento do cliente, tome cuidado. Suas desculpas infundadas, o seu jeitinho para uma situação pode não ser tão eficaz assim.


O corpo fala. Mais do que as palavras que dizemos, os gestos, as expressões, o tom de voz sempre irão "entregar" o seu verdadeiro sentimento. É quando você fala pra esposa, pro namorado: "você tá chateado?" E o outro responde: "Não, por que?" Mas no fundo você sabe que ele ou ela está "mordida" por alguma pisada de bola sua. No fundo a gente sabe, mas é a informação que fica no inconsciente que, cedo ou tarde, vem à tona.


Nosso senso comum é que toda boa decisão leva tempo, tem que ser bem analisada e refletida. Claro, cada situação exige um tipo de resposta, dependendo da sua complexidade. Mas em geral, quando fazemos essa análise prolongada, na verdade estamos pesando os prós e os contras da decisão, as vantagens e desvantagens, os benefícios ou consequências. Ela não significa, obrigatoriamente, que será uma decisão melhor do que a tomada com maior rapidez, baseada em padrões inconscientes de análise.


Nosso feeling, na verdade, é uma grande ferramenta que utilizamos no dia-a-dia sem que percebamos. Já pensou se tivéssemos que parar e analisar calmamente tudo o que aparece na nossa frente para tomarmos uma decisão. Simplesmente não viveríamos.


Portanto, se você compra seus livros pela capa + contracapa + orelhas + folheada, fique tranquilo. Você tem uma chance muito grande de acertar na compra do livro certo.  A não ser que você esteja levando muito gato por lebre...

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